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Atlas de Anatomia Veterinária

Jupará (Potos flavus)

DESCRIÇÃO GERAL

Nome científico: Potos flavus

Nome comum: Jupará; chozna, cão de montanha, mico-leão.

Estado de conservação: IUCN LC / CITES Ap III

 

Descrição: Comprimento corporal: 40-60 cm; Peso: 2-5 kg.

 

Distribuição: Floresta tropical do centro e sul da América, desde o México meridional até o Mato Grosso no Brasil.

 

Habitat: Habita em florestas de dossel fechados, típicos de florestas tropicais, florestas secas primárias, florestas de Savana, florestas secundárias e florestas da Mata Atlântica e Cerrado. Encontra-se em habitats em altitudes desde o nível do mar até os 2.500m. Hábitos terrestres e arbóreos e noturnos.

 

Reprodução: Estacionalidade: Não.

Gestação: 120 dias.

Prolificidade: 1 filhote.

Lactação: 4 meses.

Maturação sexual: Machos aos 18 meses, fêmeas aos 30 meses.

 

Hábitos alimentares: Principalmente frutas, e suplementa sua dieta com insetos, ovos, flores e folhas. Predileção pelo mel.

APARELHO DIGESTÓRIO

O aparelho digestório do jupará é muito semelhante ao dos carnívoros domésticos.

Estômago

O estômago do jupará é monocavitário, ligado ao esôfago pelo cárdia, e disposto no antímero esquerdo. O estômago se une caudalmente ao piloro duodenal localizado no antímero direito.

A curvatura maior do estômago se situa caudoventralmente e a curvatura menor, craniodorsalmente. Como nos carnívoros, no estômago do jupará é possível identificar um fundo pouco desenvolvido, um corpo e uma porção pilórica composta pelo antro e canal pilórico. Toda a mucosa do estômago tem caráter glandular.

Intestino

O intestino dos carnívoros atinge três a quatro vezes o comprimento do corpo, sendo consideravelmente mais curto que o dos herbívoros, que chega a ter um comprimento 25 vezes maior do que o comprimento do corpo. No jupará, e provavelmente por sua característica de carnívoro estrito, o comprimento total do intestino no espécime analisado atingiu apenas três vezes o comprimento corporal.

 

Intestino delgado

 

 

 

 

 

 

O intestino delgado se situa entre o piloro e o óstio ileal. Suas alças se dispõem no espaço entre o fígado e estômago (cranialmente) e a entrada da pelve (caudalmente). É composto por três porções:

  • Duodeno: a porção mais proximal do intestino delgado se estende entre o piloro e a flexura duodeno-jejunal;

  • Jejuno: é a porção de maior comprimento;

  • Íleo: é um pequeno segmento que se relaciona com o cólon por meio do óstio ileal. A sua espessa camada muscular impede o refluxo de conteúdo do intestino grosso.

 

Intestino grosso

O intestino grosso se estende desde o óstio ileal até o ânus. Suas três porções são:

  • Ceco. É a porção mais variável do intestino grosso. O jupará não apresenta ceco. Os mamíferos carnívoros puros têm um pequeno ceco em relação ao tamanho do intestino grosso, ou pode até mesmo estar ausente. Os herbívoros, ao contrário, possuem ceco e cólon bem desenvolvidos. O volume do ceco é geralmente relacionado com a proporção de celulose no alimento, exceto no caso dos mamíferos capazes de realizar processos fermentativos em seu estômago policavitário;

  • Cólon. Como em carnívoros domésticos, o cólon do jupará é muito simples, constituído por um cólon ascendente, muito curto e disposto à direita da cavidade abdominal; cólon transverso, disposto transversalmente atrás do estômago, passando da direita para a esquerda da cavidade abdominal; cólon descendente, mais longo e atinge a entrada da cavidade pélvica;

  • Reto. Está localizado na cavidade pélvica e termina no canal anal.

Na Tabela 20 são indicadas as dimensões (em centímetros) das diferentes porções do aparelho digestório do jupará.

Fígado

O fígado é protegido pelas costelas na porção intratorácica da cavidade abdominal. Apresenta uma face diafragmática em contato com o diafragma, e uma face visceral em contato com o estômago.

Nos carnívoros, os lobos hepáticos são separados por incisuras ou fissuras interlobares profundas. No jupará, as fissuras são bem marcadas, permitindo o deslizamento dos lobos entre si durante grandes movimentos de extensão e de flexão do tronco.

O padrão lobar do fígado do jupará, que é semelhante ao dos carnívoros domésticos é o seguinte:

  • Lobo lateral esquerdo;

  • Lobo medial esquerdo;

  • Lobo quadrado;

  • Lobo caudado, em que se diferenciam o processo papilar e o processo caudado;

  • Lobo medial direito;

  • Lobo lateral direito.

A vesícula biliar está localizada entre o lobo quadrado e o lobo medial direito.

 

APARELHO RESPIRATÓRIO

A troca gasosa entre o ar e o sangue ocorre nos alvéolos pulmonares. Para alcançar os alvéolos, o ar inspirado atravessa a cavidade nasal, nasofaringe, laringe, traqueia e brônquios, incluindo as diferentes subdivisões que eles apresentam.

 

Árvore brônquica e pulmões

A árvore brônquica é formada por sucessivas divisões dos brônquios principais. Cada um dos brônquios principais se ramifica em vários brônquios lobares. Esses, acompanhados de artérias, veias, vasos linfáticos e ramos nervosos penetram no pulmão por meio do hilo do órgão. O conjunto de estruturas que atravessa o hilo pulmonar recebe o nome de raiz do pulmão.

A divisão dos brônquios principais em brônquios lobares determina o padrão de lobação do pulmão. A lobação dos pulmões do jupará, que é semelhante ao dos carnívoros, é a seguinte:

Pulmão esquerdo:

  • Lobo cranial;

  • Lobo caudal.

Pulmão direito:

  • Lobo cranial;

  • Lobo médio;

  • Lobo caudal;

  • Lobo acessório.

No pulmão é possível diferenciar uma superfície de contato com a parede costal (face costal), uma face voltada para o mediastino (face medial) e uma face diafragmática que se relaciona com o diafragma.

 

APARELHO URINÁRIO 

 

 

 

 

 

 

Rins

Os rins são órgãos retroperitoneais, dorsalmente dispostos na cavidade abdominal e em ambos os antímeros da coluna vertebral. O rim direito, que é mais cranial que o esquerdo, contata com o lobo lateral direito e o processo caudado do fígado.

Os rins do jupará, como nos carnívoros domésticos, possuem formato de feijão e o córtex apresenta coloração marrom clara. A medula é subdividida em segmentos de formato piramidal ou pirâmides renais. A base da pirâmide renal se conecta com o córtex, e o vértice constitui a papila renal, que mantém estreita relação com a pelve renal. No jupará, assim como nos demais carnívoros, as papilas das diferentes pirâmides se fundem formando a crista renal.

Uma vez que o córtex não aparece dividido externamente e as pirâmides renais são fundidas para formar a crista renal, o rim do jupará, tais como o dos carnívoros domésticos, é classificada como liso e unipiramidal.

Na borda medial do rim se encontra o hilo renal, onde se reconhecem estruturas que entram (artéria renal) e saem (veia renal e ureter) do rim. Através do hilo chega-se ao o seio renal, onde se localiza a pelve renal.

 

Ureter e bexiga urinária

O ureter é uma estrutura tubular, que transporta a urina da pelve renal para a bexiga urinária, onde é armazenada. A bexiga urinária está localizada no assoalho da cavidade pélvica, onde se introduz no abdômen; quando repleta, se distende amplamente na cavidade abdominal.

 

Uretra

A uretra é o tubo de excreção de urina para o exterior. A uretra feminina é curta e desemboca no óstio uretral externo localizado ventralmente entre o vestíbulo da vagina e a vagina.

 

APARELHO REPRODUTOR FEMININO

 

 

 

 

 

 

Ovários

Os ovários produzem os ovócitos ou gametas femininos, os quais são também são armazenados e maturados nesta estrutura. Os ovários atuam também como uma glândula endócrina.Os ovários do jupará, como no cão e gato, são imediatamente caudais aos rins, na posição dorsal na cavidade abdominal. As principais formações funcionais do ovário (folículos e corpos lúteos) não são observáveis externamente, pois não estão salientes ou visíveis no córtex do ovário. O ovário está localizado dentro da bolsa ovárica.

Tuba uterina

A tuba uterina é a estrutura tubular que, após a ovulação, transporta os oócitos desde o ovário até o útero. Na tuba uterina ocorre a fecundação. A tuba uterina, ou oviduto, está localizada na mesossalpinge, que é uma prega do peritônio que se origina do ligamento largo do útero.

A mesossalpinge, junto com o mesovário e o ligamento próprio do ovário, participa na formação da bolsa ovárica. Nos carnívoros, a bolsa ovárica envolve quase que completamente o ovário.

 

Útero

O útero abriga o embrião ou feto durante seu desenvolvimento. As glândulas endometriais produzem secreções que nutrem o ovário antes da formação da placenta. O útero do jupará é bicórneo. Os cornos do útero são intra-abdominais e se fundem em um único corpo uterino de tamanho reduzido. A gestação ocorre nos cornos uterinos. O colo do útero (ou cérvix) é caracterizado por apresentar parede muscular espessa que isola o útero do exterior, de modo que o lúmen do canal cervical só se abre em momentos como o parto de o cio.

 

Vagina

A vagina é o órgão copulador feminino e se estende do colo uterino (óstio externo do útero) até a desembocadura da uretra (óstio uretral externo). Mais caudalmente se encontra o vestíbulo da vagina que é compartilhado pelos tratos genital e urinário.

 

Vulva

A vulva é formada por dois lábios que se unem nas comissuras vulvares laterais esquerda e direita, de forma que a abertura da vagina é alongada em seu plano horizontal.

 

CORAÇÃO E GRANDES VASOS

 

 

 

 

 

 

O coração dos mamíferos tem quatro câmaras:

  • Átrio esquerdo;

  • Ventrículo esquerdo;

  • Átrio direito;

  • Ventrículo direito.

O átrio esquerdo do coração recebe o sangue oxigenado dos pulmões. O sangue segue ao ventrículo esquerdo e dele, por meio da aorta e suas ramificações, se distribuem aos diferentes aparelhos e sistemas orgânicos. O sangue venoso retorna ao átrio direito do coração por meio das veias cava cranial e cava caudal. O sangue flui do átrio direito ao ventrículo direito que o impulsiona ao tronco pulmonar e às artérias pulmonares para alcançar os pulmões. Finalmente, as veias pulmonares transportam o sangue oxigenado ao átrio esquerdo.

No jupará o padrão de ramificação do arco aórtico é semelhante ao dos carnívoros domésticos. O arco aórtico origina sucessivamente o tronco braquiocefálico e a artéria subclávia esquerda. Por sua vez, o tronco braquiocefálico origina o tronco bicarotídeo e a artéria subclávia direita.

 

BAÇO

O baço é um órgão linfoide que se encontra ao longo da curvatura maior do estômago, ao qual é vinculado por meio do ligamento gastroesplênico. Possui coloração vermelha escura e sua forma é alongada e triangular, de extremidade ventral maior do que a dorsal. Pode-se diferenciar uma face diafragmática e uma face visceral. Como em carnívoros domésticos, o baço do jupará apresenta hilo difuso ao longo da face visceral, onde penetram os ramos da artéria e veia esplênicas.