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Atlas de Anatomia Veterinária

Macaco-da-noite (Aotus nancymae)

DESCRIÇÃO GERAL

Nome científico: Aotus nancymae

Nome comum: Macaco-da-noite.

Estado de Conservação: IUCN LC / CITES Ap II

Descrição: Comprimento corporal: 24-37 cm; Peso: 0,65-1,00 kg.

Distribuição: Encontra-se em florestas amazônicos do Peru e do Brasil.

Hábitat: Habita as florestas primárias, florestas inundáveis e de altas altitudes, tanto primárias como secundárias. Hábitos noturnos.

Reprodução: Estacionalidade: Não existem dados conclusivos.

Gestação: 126-159 dias.

Prolificidade: 1 filhote por gestação.

Hábitos alimentares: Basicamente frutos de muitas espécies de plantas, néctar e pequenos insetos.

APARELHO DIGESTÓRIO

Língua

A língua é um órgão muscular que se divide em ápice, corpo e raiz. Na língua do macaco-da-noite são observadas papilas mecânicas (lenticulares, filiformes e cônicas) e papilas gustativas (fungiformes, circunvaladas e folhadas).

 

Estômago

O estômago do macaco-da-noite é monocavitário, ligado ao esôfago pelo cárdia, e disposto no antímero esquerdo. O estômago se une caudalmente ao piloro duodenal localizado no antímero direito.

A curvatura maior do estômago se localiza caudoventralmente, enquanto que a curvatura menor está disposta craniodorsalmente. No estômago é possível identificar um fundo pouco desenvolvido, um corpo e uma parte pilórica composta pelo antro e canal pilórico. A maior parte da mucosa do estômago possui caráter glandular.

 

Intestino

O intestino dos primatas atinge de uma a três vezes o comprimento corporal, sendo consideravelmente mais curto que o dos herbívoros, o qual chega a ter um comprimento 25 vezes maior que o comprimento corporal. No macaco-da-noite o comprimento total do intestino atingiu, nos espécimes estudados, um comprimento aproximado de três vezes o comprimento corporal do animal.

 

Intestino delgado

O intestino delgado se localiza entre o piloro e o óstio ileal. Suas alças estão dispostas no espaço entre o fígado e o estômago (cranialmente) e a entrada da pelve (caudalmente). É constituído por três porções:

  • Duodeno: a porção mais proximal do intestino delgado se estende entre o piloro e a flexura duodenojejunal;

  • Jejuno: é a porção de maior comprimento;

  • Íleo: é um curto segmento que se une ao ceco por meio da prega ileocecal. Sua espessa camada muscular evita o refluxo do conteúdo do intestino grosso.

 

Intestino grosso

O intestino grosso se estende do óstio ileal ao ânus. Suas três porções são: 

  • Ceco. É a porção mais variável do intestino grosso. O ceco do macaco-da-noite é bem desenvolvido, fato possivelmente associado à dieta frugívora da espécie;

  • Cólon. O cólon ascendente do macaco-da-noite, ainda que simples, apresenta tamanho importante. A porção mais próxima ao ceco é consideravelmente dilatada e forma a ampola do cólon ascendente; a porção restante do cólon ascendente adelgaça para continuar com o cólon transverso; cólon transverso, já mais simples, está disposto transversalmente por trás do estômago e passa da direita a esquerda da cavidade abdominal; cólon descendente, que é mais largo e chega até a entrada da cavidade pélvica, situa-se no antímero esquerdo do abdômen. O diâmetro da porção final do cólon ascendente, do cólon transverso e do cólon descendente é similar ao do jejuno;

  • Reto. Situa-se na cavidade pélvica e termina no canal anal.

Na Tabela 12 encontram-se as dimensões (em cm) das diferentes porções do aparelho digestório do macaco-da-noite.

 

Fígado

O fígado é protegido pelas costelas na porção intratorácica da cavidade abdominal. Apresenta uma face diafragmática, em contato com o diafragma, e uma face visceral, em contato com o estômago. Nos primatas, os lobos do fígado são separados por profundos septos ou fissuras interlobares.

No macaco-da-noite, os septos são especialmente acentuados, permitindo o deslizamento dos lobos entre si durante grandes movimentos de extensão e de flexão do tronco. É importante ressaltar que essa espécie, por sua condição arborícola, apresenta uma grande flexibilidade corporal. O padrão lobar do fígado do macaco-da-noite é o seguinte:

  • Lobo lateral esquerdo;

  • Lobo medial direito;

  • Lobo quadrado;

  • Lobo caudado, em que se diferenciam o processo papilar e o processo caudado;

  • Lobo lateral direito;

  • Lobo medial esquerdo.

 

APARELHO RESPIRATÓRIO 

A troca gasosa entre o ar e o sangue ocorre nos alvéolos pulmonares. Para alcançar os alvéolos, o ar inspirado atravessa a cavidade nasal, nasofaringe, laringe, traqueia e brônquios, incluindo as diferentes subdivisões que eles apresentam.

 

Laringe

A laringe é um órgão tubular cartilaginoso que comunica a nasofaringe com a traqueia. O vestíbulo laríngeo do macaco-da-noite apresenta um ventrículo laríngeo delimitado pelas pregas ventricular e vocal. A cartilagem aritenoide apresenta processo corniculado, não foi possível confirmar a presença do processo cuneiforme.

 

Traqueia

A traqueia é formada por um conjunto de cartilagens unidas entre si pelos ligamentos anulares. As cartilagens traqueais, ou anéis traqueais, em corte circular são abertos dorsalmente, embora as extremidades permaneçam unidas internamente por meio do músculo traqueal. O músculo traqueal se insere internamente na extremidade das cartilagens traqueais. A traqueia termina bifurcando-se em dois curtos brônquios principais.

 

Árvore brônquica e pulmões

A árvore brônquica é formada por sucessivas divisões dos brônquios principais. Cada um dos brônquios principais se ramifica em vários brônquios lobares. Esses, acompanhados de artérias, veias, vasos linfáticos e ramos nervosos penetram no pulmão por meio do hilo do órgão. O conjunto de estruturas que atravessa o hilo pulmonar recebe o nome de raiz do pulmão.

A divisão dos brônquios principais em brônquios lobares determina o padrão de lobação do pulmão. A lobação do pulmão do macaco-da-noite é a seguinte:

Pulmão esquerdo:

  • Lobo cranial;

  • Lobo caudal.

Pulmão direito:

  • Lobo cranial;

  • Lobo médio;

  • Lobo caudal;

  • Lobo acessório.

No pulmão é possível identificar uma superfície em contato com a parede costal (face costal), uma superfície voltada para o mediastino (face medial) e uma face diafragmática que se relaciona com o diafragma.

 

APARELHO URINÁRIO

Rins

Os rins são órgãos retroperitoneais dispostos dorsalmente na cavidade abdominal em ambos os antímeros da coluna vertebral. O rim direito, que é mais cranial que o rim esquerdo, está em contato com o lobo lateral direito e o processo caudado do fígado.

Os rins do macaco-da-noite têm formato de feijão e o córtex renal apresenta coloração marrom clara. Aparentemente não está subdividida em segmentos piramidais ou pirâmides renais. A crista renal contata com a pelve renal, que por sua vez, se continua com o ureter.

Visto que o córtex não aparece dividido externamente e que as pirâmides estão fusionadas, o rim do macaco-da-noite é classificado como liso e unipiramidal.

Na borda medial do rim se encontra o hilo renal, onde se identificam estruturas que entram (artéria renal) e saem (veia renal e ureter) do rim. Por meio do hilo chega-se ao seio renal, onde se localiza a pelve renal.

 

Ureter e bexiga urinária

O ureter é uma estrutura tubular, que transporta a urina da pelve renal para a bexiga urinária, onde é armazenada. A bexiga urinária está localizada na base da cavidade pélvica, onde se introduz até o abdômen; quando repleta, se distende amplamente na cavidade abdominal.

 

Uretra

A uretra é o tubo de excreção de urina para o exterior. A uretra feminina é curta e desemboca no óstio uretral externo, localizado ventralmente entre o vestíbulo da vagina e a vagina. A uretra masculina possui uma porção ventral e uma peniana, é o ducto excretor da urina e sêmen.

 

APARELHO REPRODUTOR FEMININO

Ovários

Os ovários produzem os ovócitos ou gametas femininos, os quais são também são armazenados e maturados nessa estrutura. Os ovários atuam também como uma glândula endócrina. Os folículos não são observáveis externamente, pois não estão salientes ou visíveis no córtex do ovário; o folículo pré-ovulatório pode ser identificado. Com relação aos corpos lúteos, eles geralmente adentram completamente o parênquima ovariano.

 

Tuba uterina

A tuba uterina é a estrutura tubular que, após a ovulação, transporta os oócitos desde o ovário até o útero. Na tuba uterina ocorre a fecundação. A tuba uterina, ou oviduto, está inserida no mesossalpinge, que é uma dobra do peritônio derivado do ligamento largo do útero.

O mesossalpinge, juntamente com mesovário e o ligamento próprio do ovário, participam na formação da bolsa ovárica. No macaco-da-noite, como nos demais primatas, a bolsa ovárica não envolve o ovário completamente.

 

Útero

O útero abriga o embrião ou feto durante seu desenvolvimento. As glândulas endometriais produzem secreções que nutrem o ovário antes da formação da placenta. O útero do macaco-da-noite é simples, pois não apresenta cornos uterinos. Os ovidutos se fundem caudalmente em um único corpo uterino de tamanho reduzido. A gestação ocorre no corpo uterino. O colo uterino (ou cérvix) se caracteriza por apresentar uma parede muscular espessa que isola o útero do exterior, de modo que o lúmen do canal cervical só se abre em momentos como o parto e o cio.

 

Vagina

A vagina é o órgão copulador feminino e estende-se desde o colo do útero (óstio externo do útero) até a desembocadura da uretra (óstio uretral externo). Mais caudalmente encontra-se o vestíbulo da vagina, compartilhado pelos tratos genital e urinário.

 

Vulva

A vulva é formada por dois lábios que são unidos nas comissuras vulvares dorsal e ventral, de forma que a fenda vulvar é alongada verticalmente. O clitóris, que tem uma estrutura parcialmente homóloga ao pênis, se encontra ventralmente na fossa clitoriana.

 

Placentação

A placenta de mamíferos eutérios é uma estrutura formada pela aposição de membranas fetais e tecidos maternos. Sua principal função é regular a troca fisiológica entre o feto e a mãe, mas também age como um importante órgão endócrino durante a gestação.

A placenta do macaco-da-noite é uma placenta hemocorial, pois existe o contato direto das células do córion fetal com o sangue materno (inclusive, o endotélio vascular está ausente); consequentemente é classificada como placenta decídua com abundante perda de tecidos. O saco coriônico se fixa às paredes do corpo uterino por meio de um único placentônio em formato de disco, o que classifica a placenta como discoidal.

 

CORAÇÃO E GRANDES VASOS

O coração dos mamíferos apresenta quatro câmaras:

  • Átrio esquerdo;

  • Ventrículo esquerdo;

  • Átrio direito;

  • Ventrículo direito.

O átrio esquerdo do coração recebe o sangue oxigenado dos pulmões. O sangue segue ao ventrículo esquerdo e dele, por meio da aorta e suas ramificações, se distribui aos diferentes aparelhos e sistemas orgânicos. O sangue venoso retorna ao átrio direito do coração por meio das veias cava cranial e cava caudal. O sangue flui do átrio direito ao ventrículo direito que o impulsiona ao tronco pulmonar e às artérias pulmonares para alcançar os pulmões. Finalmente, as veias pulmonares transportam o sangue oxigenado ao átrio esquerdo.

No macaco-da-noite o padrão de ramificação do arco aórtico é semelhante ao do homem e aos demais primatas. O arco aórtico origina sucessivamente o tronco braquiocefálico, a artéria carótida comum esquerda e a artéria subclávia esquerda. O tronco braquiocefálico, por sua vez, origina a artéria subclávia direita e a artéria carótida comum direita.

 

BAÇO

O baço é um órgão linfoide que se localiza próximo à curvatura maior do estômago, ao qual está unido por meio do ligamento gastroesplênico. Possui coloração acinzentada e formato alongado (formato de língua). É possível identificar uma face parietal e uma face visceral. Assim como no homem e os demais primatas, o baço do macaco-da-noite possui um hilo difuso ao longo da face visceral, por onde penetram as ramificações da artéria e veia esplênicas.

 

CRÂNIO