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Atlas de Anatomia Veterinária

Macaco-de-cheiro (Saimiri macrodon)

DESCRIÇÃO GERAL

Nome científico: Saimiri macrodon

Nome comum: Macaco-de-cheiro; boca-preta, jurupari e jurupixuna.

Estado de Conservação: IUCN LC / CITES Ap II

Descrição: Comprimento total: 26.6-29.1 cm; Peso: 1 kg.

Distribuição: No Peru e Bolívia, em floresta baixa e parte de floresta alta, ou seja, de montanha de até aproximadamente 1.900m.

Habitat: Habita preferencialmente em florestas inundáveis tanto primárias, secundárias e remanescentes.

Reprodução: Aparentemente estacional.

Período de gestação: 145-155 dias.

Prolificidade: 1 filhote por gestação.

Hábitos alimentares: Frutos, sementes, flores, pecíolos, folhas novas, larva de insetos, ovos de aves, pequenos invertebrados. Durante a escassez de frutos tendem a ser mais insetívoros.

 

APARELHO DIGESTÓRIO

Língua

A língua do macaco-de-cheiro é um órgão muscular em que se diferem o ápice, o corpo e a raiz, possui coloração negra e apresenta papilas mecânicas (lenticulares, filiformes e cônicas) e papilas gustativas (fungiformes, circunvaladas e folhadas).

 

Estômago

O estômago do macaco-de-cheiro é monocavitário, ligado ao esôfago pelo cárdia, e disposto no antímero esquerdo. O estômago se une caudalmente ao piloro duodenal localizado no antímero direito.

A curvatura maior do estômago se localiza caudoventralmente, enquanto que a curvatura menor está disposta craniodorsalmente. No estômago é possível identificar um fundo pouco desenvolvido, um corpo e uma parte pilórica composta pelo antro e canal pilórico. A maior parte da mucosa do estômago possui caráter glandular.

 

Intestino

O intestino dos primatas atinge de uma a três vezes o comprimento corporal, sendo consideravelmente mais curto que o dos herbívoros, o qual chega a ter um comprimento 25 vezes maior que o comprimento corporal. No macaco-de-cheiro o comprimento total do intestino atingiu, nos espécimes estudados, uma média de 4,4 vezes o comprimento corporal.

 

Intestino delgado

O intestino delgado se localiza entre o piloro e o óstio ileal. Suas alças estão dispostas no espaço entre o fígado e o estômago (cranialmente) e a entrada da pelve (caudalmente). É constituído por três porções:

  • Duodeno: a porção mais proximal do intestino delgado se estende entre o piloro e a flexura duodenojejunal;

  • Jejuno: é a porção de maior comprimento;

  • Íleo: é um curto segmento que se une ao ceco por meio da prega ileocecal. Sua espessa camada muscular evita o refluxo do conteúdo do intestino grosso.

 

Intestino grosso

O intestino grosso se estende do óstio ileal ao ânus. Suas três porções são: 

  • Ceco. É a porção mais variável do intestino grosso. O ceco do macaco-de-cheiro apresenta mínimo desenvolvimento. O volume cecal geralmente está relacionado com a proporção de celulose do alimento; no caso do macaco-de-cheiro é importante ressaltar que essa espécie, em comparação aos demais primatas do estudo, geralmente ingere animais vertebrados e invertebrados;

  • Cólon. O cólon do macaco-de-cheiro é muito simples. É constituído pelo cólon ascendente, muito curto e disposto à direita da cavidade abdominal; cólon transverso, disposto transversalmente atrás do estômago e passando da direita para a esquerda da cavidade abdominal; cólon descendente, mais longo e chega até a entrada da cavidade pélvica. O diâmetro do cólon é semelhante ao do jejuno;

  • Reto. Situa-se na cavidade pélvica e termina no canal anal.

Na Tabela 11 encontram-se as dimensões (em cm) das diferentes partes do aparelho digestório do macaco-de-cheiro.

 

Fígado

O fígado é protegido pelas costelas na porção intratorácica da cavidade abdominal. Apresenta uma face diafragmática, em contato com o diafragma, e uma face visceral, em contato com o estômago. Nos primatas, os lobos do fígado são separados por profundos septos ou fissuras interlobares.

No macaco-de-cheiro, os septos são especialmente acentuados, permitindo o deslizamento dos lobos entre si durante grandes movimentos de extensão e de flexão do tronco. É importante ressaltar que essa espécie, por sua condição arborícola, apresenta uma grande flexibilidade corporal.

O padrão lobar do fígado do macaco-de-cheiro, que apresenta diferenças em relação ao homem, é o seguinte:

  • Lobo lateral esquerdo;

  • Lobo medial direito;

  • Lobo quadrado;

  • Lobo caudado, em que se diferenciam o processo papilar e o processo caudado;

  • Lobo lateral direito;

  • Lobo medial esquerdo.

Apesar de sugerirmos a existência de um lobo quadrado, os septos interlobares não são, neste caso, tão acentuados a ponto de se afirmar com segurança.

A vesícula biliar se encontra entre o lobo quadrado e o lobo medial direito.

 

APARELHO RESPIRATÓRIO 

A troca gasosa entre o ar e o sangue ocorre nos alvéolos pulmonares. Para alcançar os alvéolos, o ar inspirado atravessa a cavidade nasal, nasofaringe, laringe, traqueia e brônquios, incluindo as diferentes subdivisões que eles apresentam.

 

Laringe

A laringe é um órgão tubular cartilaginoso que comunica a nasofaringe com a traqueia. A cartilagem aritenoide do macaco-de-cheiro apresenta processo corniculado e processo cuneiforme. Da mesma forma, possui um ventrículo laríngeo limitado pelas pregas vestibular e vocal.

 

Traqueia

A traqueia é formada por um conjunto de cartilagens unidas entre si pelos ligamentos anulares. As cartilagens ou anéis traqueais estão abertos dorsalmente, embora as extremidades permaceçam unidas internamente pelo músculo traqueal. O músculo traqueal se insere internamente na extremidade das cartilagens traqueais. A traqueia termina bifurcando-se em dois curtos brônquios principais.

 

Árvore brônquica e pulmões

A árvore brônquica é formada por sucessivas divisões dos brônquios principais. Cada um dos brônquios principais se ramifica em vários brônquios lobares. Esses, acompanhados de artérias, veias, vasos linfáticos e ramos nervosos penetram no pulmão por meio do hilo do órgão. O conjunto de estruturas que atravessa o hilo pulmonar recebe o nome de raiz do pulmão.

A divisão dos brônquios principais em brônquios lobares determina o padrão de lobação do pulmão. A lobação do pulmão do macaco-de-cheiro é a seguinte:

Pulmão esquerdo:

  • Lobo cranial;

  • Lobo caudal.

Pulmão direito:

  • Lobo cranial;

  • Lobo médio;

  • Lobo caudal;

  • Lobo acessório.

No pulmão é possível identificar uma superfície em contato com a parede costal (face costal), uma superfície voltada para o mediastino (face medial) e uma face diafragmática que se relaciona com o diafragma.

APARELHO URINÁRIO

Rins

Os rins são órgãos retroperitoneais dispostos dorsalmente na cavidade abdominal em ambos os antímeros da coluna vertebral. O rim direito, que é mais cranial que o rim esquerdo, está em contato com o lobo lateral direito e o processo caudado do fígado.

Os rins do macaco-de-cheiro têm formato de feijão e o córtex apresenta coloração marrom clara. Embora a medula renal esteja subdividia em segmentos de forma piramidal, ou pirâmides renais, essas não se diferenciam com clareza. A base de cada pirâmide renal se conecta com o córtex, e o vértice constitui a papila renal que mantém estreita relação com a pelve renal.

Visto que o córtex não aparece dividido externamente e a medula está dividida em pirâmides, o rim do macaco-de-cheiro é classificado como liso e multipiramidal.

Na borda medial do rim se encontra o hilo renal, onde se identificam estruturas que entram (artéria renal) e saem (veia renal e ureter) do rim. Por meio do hilo chega-se ao seio renal, onde se localiza a pelve renal.

 

Ureter e bexiga urinária

O ureter é uma estrutura tubular, que transporta a urina da pelve renal para a bexiga urinária, onde é armazenada. A bexiga urinária está localizada na base da cavidade pélvica, onde se introduz até o abdômen; quando repleta, se distende amplamente na cavidade abdominal.

 

Uretra

A uretra é o tubo de excreção de urina para o exterior. A uretra feminina é curta e desemboca no óstio uretral externo, localizado ventralmente entre o vestíbulo da vagina e a vagina. A uretra masculina possui uma porção ventral e uma peniana, é o ducto excretor da urina e sêmen.

 

APARELHO REPRODUTOR FEMININO

Ovários

Os ovários produzem os ovócitos ou gametas femininos, os quais são também são armazenados e maturados nesta estrutura. Os ovários atuam também como uma glândula endócrina. Os folículos não são observáveis externamente, pois não estão salientes ou visíveis no córtex do ovário; o folículo pré-ovulatório pode ser identificado. Com relação aos corpos lúteos, eles geralmente adentram completamente o parênquima ovariano.

 

Tuba uterina

A tuba uterina é a estrutura tubular que, após a ovulação, transporta os oócitos desde o ovário até o útero. Na tuba uterina ocorre a fecundação. A tuba uterina, ou oviduto, está inserida no mesossalpinge, que é uma dobra do peritônio derivado do ligamento largo do útero.

O mesossalpinge, juntamente com mesovário e o ligamento próprio ovário, participam na formação da bolsa ovárica. No macaco-de-cheiro, como nos demais primatas, a bolsa ovárica não envolve o ovário completamente.

 

Útero

O útero abriga o embrião ou feto durante seu desenvolvimento. As glândulas endometriais produzem secreções que nutrem o ovário antes da formação da placenta. O útero do macaco-de-cheiro é simples, pois não apresenta cornos uterinos. Os ovidutos se fundem caudalmente em um único corpo uterino de tamanho reduzido. A gestação ocorre no corpo uterino. O colo uterino (ou cérvix) se caracteriza por apresentar uma parede muscular espessa que isola o útero do exterior, de modo que o lúmen do canal cervical só se abre em momentos como o parto e o cio.

 

Vagina

A vagina é o órgão copulador feminino e estende-se desde o colo do útero (óstio externo do útero) até a desembocadura da uretra (óstio uretral externo). Mais caudalmente encontra-se o vestíbulo da vagina, compartilhado pelos tratos genital e urinário.

 

Vulva

A vulva é formada por dois lábios que são unidos nas comissuras vulvares dorsal e ventral, de forma que a fenda vulvar é alongada verticalmente. O clitóris, que tem uma estrutura parcialmente homóloga ao pênis, se encontra ventralmente na fossa clitoriana.

 

Placentação

A placenta de mamíferos eutérios é uma estrutura formada pela aposição de membranas fetais e tecidos maternos. Sua principal função é regular a troca fisiológica entre o feto e a mãe, mas também age como um importante órgão endócrino durante a gestação.

A placenta do macaco-de-cheiro é uma placenta hemocorial, pois existe o contato direto das células do córion fetal com o sangue materno (inclusive, o endotélio vascular está ausente); consequentemente é classificada como placenta decídua com abundante perda de tecidos. O saco coriônico se fixa às paredes do corpo uterino por meio de um único placentônio em formato de disco, o que classifica a placenta como discoidal.

 

CORAÇÃO E GRANDES VASOS

O coração dos mamíferos apresenta quatro câmaras:

  • Átrio esquerdo;

  • Ventrículo esquerdo;

  • Átrio direito;

  • Ventrículo direito.

O átrio esquerdo do coração recebe o sangue oxigenado dos pulmões. O sangue segue ao ventrículo esquerdo e dele, por meio da aorta e suas ramificações, se distribui aos diferentes aparelhos e sistemas orgânicos. O sangue venoso retorna ao átrio direito do coração por meio das veias cava cranial e cava caudal. O sangue flui do átrio direito ao ventrículo direito que o impulsiona ao tronco pulmonar e às artérias pulmonares para alcançar os pulmões. Finalmente, as veias pulmonares transportam o sangue oxigenado ao átrio esquerdo.

No macaco-de-cheiro o padrão de ramificação do arco aórtico é semelhante ao do homem. O arco aórtico origina sucessivamente o tronco braquiocefálico, a artéria carótida comum esquerda e a artéria subclávia esquerda. O tronco braquiocefálico, por sua vez, origina a artéria subclávia direita e a artéria carótida comum direita.

 

BAÇO

O baço é um órgão linfoide que se localiza próximo à curvatura maior do estômago, ao qual está unido por meio do ligamento gastroesplênico. Possui coloração acinzentada e formato alongado (formato de língua). É possível identificar uma face parietal e uma face visceral. Assim como no homem, o baço do macaco-de-cheiro possui um hilo difuso ao longo da face visceral, por onde penetram as ramificações da artéria e veia esplênicas.

 

CRÂNIO