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Atlas de Anatomia Veterinária

Sagui-leãozinho (Cebuella pygmaea)

DESCRIÇÃO GERAL

Nome científico: Cebuella pygmaea

Nome comum: Sagui-leãozinho; leoncito.

Estado de Conservação: IUCN LC

Descrição: É menor dos primatas do novo mundo. Comprimento corporal: 14-18 cm; Comprimento da cauda: 12-15 cm; Peso: 120 g.

Distribuição: Espécie distribuída nas matas tropicais de toda América do Sul, desde Venezuela até Bolívia.

Hábitat: Se localiza nos ramos baixos de das árvores.  Hábitos diurnos e vive em grupos de 2 a 9 indivíduos.

Reprodução: Estacionalidade: Não existem dados conclusivos.

Gestação: 137-142 dias.

Prolificidade: 2 filhotes por gestação.

Hábitos alimentares: São onívoros, e sua dieta se baseia em exsudações de árvores, insetos, e ocasionalmente de frutos, brotos e néctar.

APARELHO DIGESTÓRIO

Língua

A língua é um órgão muscular que se divide em ápice, corpo e raiz. A língua do sagui-leãozinho apresenta papilas mecânicas (lenticulares, filiformes e cônicas) e papilas gustativas (fungiformes, circunvaladas e folhadas).

 

Estômago

O estômago do sagui-leãozinho é monocavitário, ligado ao esôfago pelo cárdia, e disposto no antímero esquerdo. O estômago se une caudalmente ao piloro duodenal localizado no antímero direito.

A curvatura maior do estômago se localiza caudoventralmente. A curvatura menor, disposta craniodorsalmente, se caracteriza por uma profunda incisura angular que lhe confere um acentuado formato de gancho. No estômago é possível identificar um fundo pouco desenvolvido, um corpo e uma parte pilórica composta pelo antro e canal pilórico. Toda a mucosa do estômago possui caráter glandular.

 

Intestino

O intestino dos primatas atinge de uma a três vezes o comprimento corporal, sendo consideravelmente mais curto que o dos herbívoros, o qual chega a ter um comprimento 25 vezes maior que o comprimento corporal. No sagui-leãozinho o comprimento total do intestino atingiu um comprimento aproximado de três vezes o comprimento corporal.

 

Intestino delgado

O intestino delgado se localiza entre o piloro e o óstio ileal. Suas alças estão situadas no espaço entre o fígado e o estômago (cranialmente) e a entrada da pelve (caudalmente). É constituído por três porções:

  • Duodeno: a porção mais proximal do intestino delgado se estende entre o piloro e a flexura duodenojejunal;

  • Jejuno: é a porção de maior comprimento;

  • Íleo: é um curto segmento que se une ao ceco por meio da prega ileocecal. Sua espessa camada muscular evita o refluxo do conteúdo do intestino grosso.

 

Intestino grosso

O intestino grosso se estende do óstio ileal ao ânus. Suas três porções são: 

  • Ceco. É a porção mais variável do intestino grosso. O ceco do sagui-leãozinho é bem desenvolvido, fato possivelmente associado com a dieta onívora da espécie e com a proporção de celulose do alimento;

  • Cólon. Como nos demais primatas, o cólon do sagui-leãozinho é muito simples, constituído pelo cólon ascendente, muito curto e disposto à direita da cavidade abdominal; cólon transverso, disposto transversalmente atrás do estômago e passando da direita para a esquerda da cavidade abdominal; cólon descendente, mais longo e chega até a entrada da cavidade pélvica. O diâmetro do cólon é semelhante ao do jejuno;

  • Reto. Situa-se na cavidade pélvica e termina no canal anal.

Na Tabela 15 encontram-se as dimensões (em cm) das diferentes partes do aparelho digestório do sagui-leãozinho.

 

Fígado

O fígado se encontra protegido pelas costelas na porção intratorácica da cavidade abdominal. Apresenta uma face diafragmática, em contato com o diafragma, e uma face visceral, em contato com o estômago.

Nos primatas, os lobos do fígado são separados por profundos septos ou fissuras interlobares. No sagui-leãozinho, os septos são especialmente acentuados, permitindo o deslizamento dos lobos entre si durante grandes movimentos de extensão e de flexão do tronco. É importante ressaltar que essa espécie, por sua condição arborícola, apresenta grande flexibilidade corporal.

O padrão lobar do fígado do sagui-leãozinho, que apresenta diferenças em relação ao homem, é o seguinte:

  • Lobo lateral esquerdo;

  • Lobo medial direito;

  • Lobo quadrado;

  • Lobo caudado, em que se diferenciam o processo papilar e o processo caudado;

  • Lobo lateral direito;

  • Lobo medial esquerdo.

 

APARELHO RESPIRATÓRIO 

A troca gasosa entre o ar e o sangue ocorre nos alvéolos pulmonares. Para alcançar os alvéolos, o ar inspirado atravessa a cavidade nasal, nasofaringe, laringe, traqueia e brônquios, incluindo as diferentes subdivisões que eles apresentam.

 

Laringe

A laringe é um órgão tubular cartilaginoso que comunica a nasofaringe com a traqueia. A cartilagem aritenoide do sagui-leãozinho apresenta processos corniculado e cuneiforme. O vestíbulo laríngeo do sagui-leãozinho apresenta um ventrículo laríngeo delimitado pelas pregas ventricular e vocal.

 

Traqueia

A traqueia é formada por um conjunto de cartilagens unidas entre si pelos ligamentos anulares. As cartilagens, ou aneis traqueais, em corte circular são abertos dorsalmente, embora as extremidades permaneçam unidas internamente por meio do músculo traqueal. O músculo traqueal se insere internamente na extremidade das cartilagens traqueais. A traqueia termina bifurcando-se em dois brônquios principais.

 

Árvore brônquica e pulmões

A árvore brônquica é formada por sucessivas divisões dos brônquios principais. Cada um dos brônquios principais se ramifica em vários brônquios lobares. Esses, acompanhados de artérias, veias, vasos linfáticos e ramos nervosos penetram no pulmão por meio do hilo do órgão. O conjunto de estruturas que atravessa o hilo pulmonar recebe o nome de raiz do pulmão.

A divisão dos brônquios principais em brônquios lobares determina o padrão de lobação do pulmão. A lobação do pulmão do sagui-leãozinho é a seguinte:

Pulmão esquerdo:

  • Lobo cranial;

  • Lobo caudal.

Pulmão direito:

  • Lobo cranial;

  • Lobo médio;

  • Lobo caudal;

  • Lobo acessório.

No pulmão é possível identificar uma superfície em contato com a parede costal (face costal), uma superfície voltada para o mediastino (face medial) e uma face diafragmática que se relaciona com o diafragma.

 

APARELHO URINÁRIO

Rins

Os rins são órgãos retroperitoneais dispostos dorsalmente na cavidade abdominal em ambos os antímeros da coluna vertebral. O rim direito, que é mais cranial que o rim esquerdo, está em contato com o lobo lateral direito e o processo caudado do fígado.

Os rins do sagui-leãozinho têm formato de feijão e o córtex renal apresenta coloração marrom clara. Aparentemente a medula renal não está subdividida em segmentos piramidais ou pirâmides renais. A crista renal contata com a pelve renal, que se continua, por sua vez, com o ureter.

Visto que o córtex não aparece dividido externamente e que as pirâmides estão fusionadas, o rim do sagui-leãozinho é classificado como liso e unipiramidal.

Na borda medial do rim se encontra o hilo renal, onde se identificam estruturas que entram (artéria renal) e saem (veia renal e ureter) do rim. Por meio do hilo chega-se ao seio renal, onde se localiza a pelve renal.

 

Ureter e bexiga urinária

O ureter é uma estrutura tubular, que transporta a urina da pelve renal para a bexiga urinária, onde é armazenada. A bexiga urinária está localizada no assoalho da cavidade pélvica, em toda sua extensão; quando repleta, se distende amplamente na cavidade abdominal.

 

Uretra

A uretra é o tubo de excreção de urina para o exterior. A uretra feminina é curta e desemboca no óstio uretral externo, localizado ventralmente entre o vestíbulo da vagina e a vagina. A uretra masculina, que tem uma porção pélvica e uma porção peniana, é o ducto excretor da urina e sêmen.

 

APARELHO REPRODUTOR MASCULINO 

Os órgãos genitais masculinos são responsáveis ​​pela formação, maturação, transporte e emissão de células germinais masculinas, os espermatozoides.

 

Testículos 

Os testículos são órgãos endócrinos produtores de espermatozoides. Nos mamíferos adultos os testículos são geralmente extra-abdominais e se localizam na região inguinal dentro do escroto. Os testículos dos mamíferos estão envoltos por uma fina cápsula de tecido conjuntivo, a túnica albugínea. O tecido conjuntivo também se acumula na zona central do testículo, onde forma o mediastino testicular; do mediastino convergem septos de tecido conjuntivo que se estendem até a túnica albugínea. No sagui-leãozinho, a organização do mediastino não permite que este seja observado macroscopicamente. Entre os septos estão dispostos lóbulos no parênquima testicular, que incluem os túbulos seminíferos, onde são gerados os espermatozoides. Os túbulos seminíferos confluem, dentro do mediastino testicular na rede testicular. Essa última continua mediante os ductos eferentes, que saem do testículo para se inserir na cabeça do epidídimo.

 

Epidídimo

O epidídimo é um órgão unido ao testículo, os espermatozoides são maturados e armazenados até a ejaculação. É constituído por cabeça, corpo e cauda. Na cabeça do epidídimo se localizam os ductos eferentes advindos da rede testicular, que confluem para formar o ducto epididimário. Esse é bastante tortuoso e está disposto no corpo e na cauda do epidídimo.

A união do testículo e corpo do epidídimo forma o escroto. Depois da cauda do epidídimo, o ducto epididimário continua no ducto deferente. O ligamento da cauda do epidídimo une esta estrutura às túnicas testiculares. O ligamento próprio do testículo mantém unidos o testículo com a cauda do epidídimo.

 

Ducto deferente

O ducto epididimário continua no ducto deferente, que prossegue no cordão espermático. O cordão espermático, além do ducto deferente, contém a artéria testicular, o plexo pampiniforme (equivalente à veia testicular), e fibras simpáticas, vasos linfáticos e o processo vaginal. O cordão espermático passa através do canal inguinal e entra na cavidade abdominal, onde seus componentes se separam. O ducto deferente entra na cavidade pélvica, onde desemboca no colículo seminal, na porção prostática da uretra pélvica.

 

Glândulas genitais acessórias 

O sêmen é formado por espermatozoides e pelas secreções produzidas pelo conjunto de glândulas genitais acessórias do macho. Estas glândulas estão localizadas nas proximidades da porção pélvica da uretra. No sagui-leãozinho, basicamente diferem:

  • A glândula vesicular, dupla e muito volumosa, que desemboca no canal deferente próximo do colículo seminal;

  • A próstata, localizada sobre a uretra e muito próxima à glândula vesicular.

 

Pênis

O pênis ou órgão copulador do macho se origina no arco isquiático com dois pilares que se unem e formam a raiz do pênis que continua caudalmente; segue como corpo do pênis que termina com a glande. 

O pênis do sagui-leãozinho é músculo-cavernoso. O pênis é formado por dois corpos cavernosos que possuem um maior desenvolvimento ao nível dos pilares e do corpo do pênis; e um único corpo esponjoso que apresenta mínimo desenvolvimento. A glande do pênis é constituída principalmente de corpo esponjoso. No processo uretral se encontra o óstio uretral externo.

 

CORAÇÃO E GRANDES VASOS

O coração dos mamíferos apresenta quatro câmaras:

  • Átrio esquerdo;

  • Ventrículo esquerdo;

  • Átrio direito;

  • Ventrículo direito.

O átrio esquerdo do coração recebe o sangue oxigenado dos pulmões. O sangue segue ao ventrículo esquerdo e dele, por meio da aorta e suas ramificações, se distribui aos diferentes aparelhos e sistemas orgânicos. O sangue venoso retorna ao átrio direito do coração por meio das veias cava cranial e cava caudal. O sangue flui do átrio direito ao ventrículo direito que o impulsiona ao tronco pulmonar e às artérias pulmonares para alcançar os pulmões. Finalmente, as veias pulmonares transportam o sangue oxigenado ao átrio esquerdo.

No sagui-leãozinho o padrão de ramificação do arco aórtico é semelhante ao do homem e a outros primatas. O arco aórtico origina sucessivamente o tronco braquiocefálico, a artéria carótida comum esquerda e a artéria subclávia esquerda. O tronco braquiocefálico, por sua vez, origina a artéria subclávia direita e a artéria carótida comum direita.

 

BAÇO

O baço é um órgão linfoide que se localiza próximo à curvatura maior do estômago, ao qual está unido por meio do ligamento gastroesplênico. Possui coloração acinzentada e formato alongado (formato de língua). É possível identificar uma face parietal e uma face visceral. Assim como no homem e outros primatas, o baço do sagui-leãozinho possui hilo difuso ao longo da face visceral, por onde penetram as ramificações da artéria e veia esplênicas.